Ruas são alagadas, e mais de 100 famílias deixam casas após alta do nível de rio em Granja, no Ceará

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Nível da água está a 3,45 metros acima do nível normal, de acordo com a Defesa Civil. Previsão é de chuva em todas as regiões do Ceará no fim de semana.

Pelo menos 122 famílias que vivem às margens do Rio Coareaú, no interior do Ceará, tiveram que deixar as residências devido ao aumento do nível das águas, 3,45 metros acima do nível normal, de acordo com a Defesa Civil. Ainda conforme a Defesa Civil, 52 famílias foram realocadas para abrigos disponibilizados pela prefeitura de Granja.

A alta ocorre após uma sequência de fortes chuvas, de até 155 milímetros, ocorridas desde o início da semana. Entre quinta e sexta-feira (4 e 5), o nível do Rio Coreaú baixou 15 centímetros, mas a população está em situação de alerta. Com as chuvas, sobe para 32 o número de açudes com a capacidade máxima no Ceará.

Nesta sexta-feira, choveu em pelo menos 134 municípios no intervalo de 24 horas, conforme a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Houve precipitações em todas as regiões do estado.

Em Fortaleza, algumas ruas e avenidas da capital alagaram na manhã desta sexta. Foram registrados pontos de alagamentos em alguns trechos da Avenida Raul Barbosa, entre as Ruas Tenente Wilson e Tenente Roma, no Bairro Aerolândia. Os veículos tiveram que diminuir a velocidade ao passar pelo local. Na Avenida Alberto Craveiro, próximo ao viaduto da Aerolândia, há acúmulo de água, porém havia problemas de travessia.

Já em Santana do Cariri, os moradores ficaram sem água nas torneiras depois que correnteza de um rio rompeu a adutora que abastece o município. A prefeitura afirmou que deve iniciar o reparo neste sábado (6).

Matusalém Pereira é um dos moradores de Lagoa Grande, em Granja, e teve de sair de casa devido à alta do nível do rio Coreaú. O pescador retornou hoje ao local para buscar algumas roupas que deixou em casa. “Agora estamos morando um pouco mais à frente, na parte mais alta do bairro. Alugamos uma casa que a prefeitura vai pagar com o aluguel social”, diz.

O aluguel da casa que Matusalém Pereira está morando atualmente custa R$ 150, fora as contas de água e luz. O pescador tem contrato de um mês na nova casa, mas não tem certeza de quando a água de sua casa irá baixar.

“Ninguém sabe o quanto vai chover, depende muito, porque a chuva tem muito influência aqui. Se chover muito aqui, o nível da água aumenta”, afirma.

“A água chegou a ficar acima do peito. Estou na casa do meu cunhado, seis pessoas estão lá”, conta o agricultor Francisco de Assis Fernandes. O homem perdeu a pequena plantação que tinha e os peixes que criara em um açude próximo. “A água subiu ligeiro e está custando a baixar, mas isso é porque não para de chover. Hoje o tempo deu uma trégua”, finaliza.