Primeira brasileira a comandar um Boeing 777 supera o machismo e faz história na aviação. Assista!

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Kalina (esquerda) foi a primeira piloto mulher da Varig no Brasil – Crédito: Arquivo pessoal

Tempos atrás, imaginar uma mulher pilotando um avião comercial certamente deixaria muitos homens machistas de cabelo em pé. Mas, nada como muito trabalho e uma homeopática revisão de conceitos para a quebra gradativa desse insólito paradigma. Não à toa, vamos contar um pouco da história de Kalina Kox Milani, primeira piloto mulher da história da extinta Varig. Direto dos Estados Unidos, onde hoje mora com a família, ela conversou com exclusividade com o portal Roma News em entrevista especial pelo Dia Internacional da Mulher.

Kalina é presidente honorária de uma organização recém fundada, a Associação das Mulheres Aviadoras do Brasil (AMAB), segundo ela, criada com o objetico de “fomentar o crescimento das mulheres na aviação”. “Esse Dia Internacional da Mulher será muito especial para para nós, aviadoras, que dedicamos nossas vidas à aviação, ao fomento e ao apoio à aviadoras no Brasil”.

Kalina, quando se formou aviadora (foto: arquivo pessoal)

A aviadora nasceu em Recife-PE e mora em Washington, capital dos Estados Unidos, há dois anos. “Nesta sexta-feira (8) estaremos fazendo o lançamento da primeira e única associação de mulheres pilotos,no Brasil! Um sonho meu, das minhas amigas e colegas aviadoras”, disse em tom de empolgação.

Kalina entre os colegas comandantes de voo (foto: Arquivo pessoal)

“Eu fui primeira mulher piloto na história da Varig. Ingressei em junho de 1991 e saí da empresa em junho de 2006. Depois desses 15 anos na Varig fui para os Emirados Árabes trabalhar na Emirates. Lá, fui a primeira mulher piloto de linha aérea da empresa. Ingressei como primeiro Oficial e fui primeira mulher a comandar um Boeing 777 para a empresa. Esse avião tem capacidade para até 440 passageiros e pesa 350 toneladas”, conta Kalina.

Kalina comandando um voo de Dubai para a Arábia Saudita (foto: arquivo pessoal)

Sobre o machismo dentro e fora da profissão, Kalina lembra que a batalha é árdua mas que o desafio nunca a intimidou. “Se as pessoas acham que o machismo na cabine de comando é difícil de lidar, imagina machismo junto com leis do um País, diretrizes empresariais e cultura baseados na religião islâmica. Tive que lidar com tudo isso nos Emirados Árabes”, revela.

Depois do período na Emirates, Kalina mudou-se para os Estados Unidos. “Fiquei 10 anos na Emirates e depois disso me mudei para a América do Norte com meu marido e minha filha, onde montei uma empresa de recrutamento de pilotos e de executivos. Junto com as aviadoras brasileiras, muitas das quais fazem parte do nosso grupo ‘Aviadoras’, criado há 21 anos, fundamos a Associação das Mulheres Aviadoras do Brasil, a AMAB”, completa.

Assista!

Sobre a AMAB – O grupo ‘Aviadoras’ foi fundado pelas pioneiras do grupo Varig, em 1998, com o objetivo de unir as mulheres pilotos em busca de apoio mútuo, parceria, melhorias no ambiente de trabalho e de incentivar, aconselhar e a nortear jovens no exercício da profissão. Com o passar dos anos, foi decidido oficializar o grupo, resultando na fundação da 1ª Associação das Mulheres Aviadoras do Brasil (AMAB)!

Através desta entidade, várias aviadoras podem contar com o apoio e assistência necessários para exercer sua função no Brasil, e no exterior! A AMAB é uma organização sem fins lucrativos, que se dedica também a incentivar e a apoiar as jovens a abraçarem uma das varias oportunidades oferecidas nos campos da aviação.

“A AMAB pode ajudar a encaminhar a mulher que deseja ser aviadora ou trabalhar com aviação civil. Chegar lá é se tornar integrante de uma empresa aérea. As empresas aéreas precisam de pilotos e é sempre importante que as pretendentes façam curso de inglês, se especializem e corram atrás de seus sonhos”, declara a Tereza Parnes, comandante, em, um vídeo de divulgação da associação.

Fonte: RomaNews