Funcionários da Vale e engenheiros que atestaram barragem em MG são presos

0
724

Resultado de imagem para Funcionários da Vale e engenheiros que atestaram barragem em MG

Dois engenheiros que atestaram a estabilidade da barragem de Brumadinho (MG) e três funcionários da Vale responsáveis pelo local e seu licenciamento foram presos na manhã desta terça-feira (29), quatro dias após o rompimento que deixou dezenas de mortos e centenas de desaparecidos.

Os mandados de prisão temporária, expedidos pela juíza Perla Saliba Brito, da Comarca de Brumadinho da Justiça de Minas Gerais, têm validade de 30 dias, podendo ser prorrogado pelo mesmo período. “Verifico que é necessária a prisão temporária dos investigados por ser imprescindível para as investigações do inquérito policial”, escreveu a juíza. “Trata-se de apuração complexa de delitos, alguns perpetrados na clandestinidade.

Segundo o MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais), os três funcionários da Vale –César Augusto Paulino Grandchamp, Ricardo de Oliveira e Rodrigo Artur Gomes de Melo–, presos na região metropolitana de Belo Horizonte, estavam “diretamente envolvidos e responsáveis pelo empreendimento minerário e seu licenciamento”.

Oliveira é gerente de meio ambiente, saúde e segurança do complexo, e Melo, gerente-executivo operacional. Grandchamp é geólogo e especialista técnico da Vale.

Em nota sobre a prisão, a Vale disse que “está colaborando plenamente com as autoridades”. “A Vale permanecerá contribuindo com as investigações para a apuração dos fatos, juntamente com o apoio incondicional às famílias atingidas”.

Em São Paulo, foram presos os dois engenheiros terceirizados “que atestaram a estabilidade da barragem”, segundo a PF (Polícia Federal). Eles são Makoto Namba e André Jum Yassuda, que atuam para a empresa alemã Tüv Süd, responsável por fazer a auditoria na barragem que se rompeu.

A empresa ainda não se pronunciou a respeito das prisões desta terça-feira. Em nota na segunda-feira (28), a empresa afirmou que “está colaborando com as autoridades brasileiras” e que “vai providenciar às autoridades todos os documentos necessários”. A Tüv Süd disse ainda que fez uma revisão periódica da segurança da barragem no dia 18 de junho e que realizou ainda uma inspeção regular de segurança no dia 26 de setembro. A empresa destacou que essas inspeções estão de acordo com o previsto por portaria do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

A magistrada indicou que as prisões temporárias têm como objetivo apurar a prática, “em tese”, de homicídio qualificado, crimes ambientais e falsidade ideológica.

Newton Menezes/Futura Press/Estadão Conteúdo

O MP-MG pretende ouvir os cinco presos em sua sede na capital mineira. Os engenheiros presos em São Paulo serão encaminhados a Belo Horizonte ainda nesta terça.

A ação é realizada em conjunto por PF, MPF (Ministério Público Federal), as Promotorias mineira e paulista, e as Polícias Civil e Militar de Minas Gerais. O objetivo da ação é “apurar a responsabilidade criminal pelo rompimento de barragem”.

Além das prisões, foram expedidos outros doze mandados de busca e apreensão, cumpridos em Minas Gerais e em São Paulo.

A Justiça Federal em Belo Horizonte determinou cinco ordens judiciais contra a sede da Vale em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, e uma empresa na capital paulista que “prestou serviços e projetos e consultoria na área de barragens” para a mineradora. Pessoas ligadas às empresas também estiveram na mira dos investigadores.

Já a Comarca de Brumadinho autorizou os outros sete mandados de busca e apreensão na região metropolitana de Belo Horizonte e em São Paulo.

Fonte: UOL