Brasil exporta menos milho, mas recebe mais

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Exportações do ano deverão cair 25%; preços médios por tonelada sobem 8%.

O Brasil está exportando menos milho neste ano, mas recebendo mais pelo cereal. As receitas estão próximas de US$ 2,2 bilhões para o período de janeiro a setembro. O Ministério do Desenvolvimento ainda está revisando os dados.

Já o volume exportado foi de 12,6 milhões de toneladas. Na média, o valor da tonelada comercializada neste ano foi de US$ 170, com evolução de 8% em relação igual período de 2017.

Carregamento de milho no norte do Paraná

Leonardo Sologuren, sócio diretor da Horizon Company, diz que esse cenário foi construído com base em uma série de fatores. Um deles foi a presença menor da Argentina no mercado externo e o custo maior do produto americano, devido ao aumento mundial do dólar.

O câmbio no Brasil também tornou o produto brasileiro menos competitivo, mas o prêmio pago pelo cereal ajudou as exportações.

O milho brasileiro, que já chegou a ser negociado a R$ 150 a mais por tonelada em meados deste ano, em relação aos valores de Chicago, está atualmente com alta de R$ 75.

O aumento nos preços do milho no Brasil ocorreu também devido à produção menor. Sobrou menos produto para a exportação, segundo Sologuren.

A queda na oferta do cereal foi maior do que a do consumo. O país colheu 9 milhões de toneladas a menos, enquanto a retração do consumo, devido basicamente à paralisação do setor de proteínas a partir de maio —greve dos caminhoneiros—, foi de 1 milhão de toneladas, segundo o sócio-diretor da Horizon.

O Brasil ganhou o posto de segundo maior exportador de milho do mundo. No ano passado, chegou a colocar 29,3 milhões de toneladas do produto no mercado externo.

Neste ano, devido à produção interna menor, deverá exportar um volume entre 21 milhões e 23 milhões.

Para Daniele Siqueira, da AgRural, o alcance do Brasil no mercado externo já não é mais o mesmo de há alguns anos, quando Japão, Coreia do Sul e Taiwan eram mercados importantes para o país.

Neste ano, esses países foram para o meio da lista dos principais importadores. Irã, Egito, Espanha e Vietnã encabeçam a lista de janeiro a setembro.

Fonte: Folha