Em nota, professores da Unemat denunciam ameaças fascistas de bolsonaristas

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Bolsonaro teve 60% dos votos válidos em MT no primeiro turno.

A diretoria da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat) emitiu nesta quarta-feira (10) uma nota de repúdio sobre uma suposta perseguição que professores, alunos e funcionários da instituição estão sofrendo por parte de apoiadores do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) por declararem apoio a Fernando Haddad (PT).

De acordo com a nota, os apoiadores de Haddad têm sido vítimas de hostilização, repressões e ameaças. “É inadmissível que qualquer profissional, especialmente o professor, bem como o aluno e os profissionais técnicos, seja do Ensino Superior ou da Educação Básica, sinta-se ameaçado, desprotegido ou assediado por manifestar suas ideias e posicionamentos políticos”, diz trecho do documento.

O texto diz ainda que a perseguição já acontece desde 2016, quando houve o que a associação denomina por “Golpe”, em referência ao impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT), deposta de seu cargo pelo crime de responsabilidade fiscal, por meio das pedaladas fiscais.

Segundo a nota, o pensamento crítico nos espaços da universidade começou a ser cerceado. A entidade ainda afirma que é inadmissível que qualquer pessoa seja desrespeitada ou ameaçada fisicamente por causa de suas escolhas políticas.

entramos em contato com a diretoria da Adunemat em busca de mais informações sobre as supostas ameaças repudiadas pelo documento. Contudo, apesar de emitir uma nota em defesa da liberdade de expressão e assinar o rodapé se colocando à disposição, a entidade se recusou a passar detalhes sobre os casos, afirmando que qualquer informação poderá obtida apenas pela nota emitida.

A reportagem também tentou contato com a assessoria de imprensa da Unemat, mas não obteve êxito.

NOTA PÚBLICA

A Diretoria da ADUNEMAT vem a público manifestar REPÚDIO aos assédios, ameaças e às atitudes de caráter fascista sofridas por professores e alunos nos campi da UNEMAT. Tais atitudes estão sendo praticadas por pessoas que se assumem como apoiadoras do presidenciável do Partido Social Liberal (PSL), Jair Bolsonaro. Diversas situações são identificadas em todo País, e em especial no Mato Grosso, em que alunos, professores, profissionais técnicos e demais frequentadores do espaço acadêmico, por manifestar sua opção política a Fernando Haddad do Partido dos Trabalhadores (PT), sofrem hostilização, repressão e ameaças. 

É inadmissível que qualquer profissional, especialmente o professor, bem como o aluno e os profissionais técnicos, seja do Ensino Superior ou da Educação Básica, sinta-se ameaçado, desprotegido ou assediado por manifestar suas ideias e posicionamentos políticos, principalmente na Universidade, espaço em que a liberdade de expressão e de pensamento devem ser garantidos e trabalhados de forma crítica.

Os prenúncios desses ataques já se manifestavam desde 2016, e, mais recentemente, quando o ministro da educação perseguiu publicamente os cursos que se propuseram discutir criticamente o Golpe. De lá para cá, o pensamento crítico nos espaços da universidade tem tentado se manter vivo e atuante, resistindo e buscando discutir os modos pelos quais essa onda fascista se instaurou de maneira tão forte. Contudo, não é possível tolerar que haja esse tipo de ameaça a todo e qualquer docente que ousar produzir conhecimento autônomo e crítico no Brasil. Também não é possível que haja intimidação e desrespeito às opções políticas dos professores, alunos e profissionais técnicos. Muito menos tolerável, ainda, é a existência de ameaças físicas dessa natureza a qualquer pessoa no espaço acadêmico.

Reiteramos nosso total e amplo apoio a todos os professores, alunos e profissionais técnicos da UNEMAT e defendemos o direito de cada um de expressar livremente suas convicções político-ideológicas. 

Nos colocamos à disposição.

Diretoria da ADUNEMAT

Fonte: FolhaMax