Maioria dos açougues trabalha sem licença

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Muitos estabelecimentos que comercializam carnes e aves ainda não possuem autorização da vigilância sanitária para funcionar.

De um total de 129 açougues existentes em Marabá, somente 21 tem licença. Embora 37 já tenham solicitado o documento, 71 deles ainda estão irregulares. Os números são preocupantes e assustam até o Departamento de Vigilância Sanitária (Divisa) do município, que vem realizando fiscalizações em estabelecimentos do setor alimentício nos últimos meses. Conforme explica Daniel Soares, coordenador da Divisa, existem várias exigências para que uma casa de carnes possa funcionar dentro da legalidade, o que muitas vezes é ignorado pelos proprietários.

Ele lembra que os açougues devem ter uma estrutura interna totalmente revestida com material liso, impermeável e lavável. O espaço de armazenagem da carne, segundo ele, deve ser refrigerado e fechado. “As carnes não podem ficar expostas ao ar livre e não pode existir carne pré-moída”, alertou. Além disso, os produtos devem ser refrigerados na temperatura correta, que ele diz ser de 8º C.

Daniel acrescenta que, como o município ficou por muito tempo sem a atuação da vigilância sanitária, hoje é necessário fazer um trabalho de educação e conscientização dos comerciantes antes de multá-los. “A gente tem feito várias ações no sentido de coibir irregularidades aqui em Marabá, e temos feito um trabalho novamente de conscientização para que a gente possa enfim colocar tudo nos eixos, para não entrar logo com ação coercitiva”, afirma.

No entanto, ele destaca que futuramente novas ações de fiscalização vão acontecer para checar se os estabelecimentos já notificados têm seguido as recomendações feitas pelo órgão em diligências anteriores. “Nós vamos começar a multar quando a gente encontrar novamente irregular”, garantiu.

CONSUMO

Ouvidos pela Reportagem do CORREIO, muitos consumidores demonstraram estar atentos à higiene do alimento ofertado nos açougues da cidade. Noé Nascimento lembrou que é necessário checar sempre o estado do estabelecimento, se está limpo e se a carne está bem armazenada. Ele acrescenta que isso é necessário para fazer uma compra com segurança. Kaiara Sobrinho defende que é necessário observar também o aspecto da carne, se ela está “bonita” e se o local de armazenagem é bem higienizado.

Já Orlando de Jesus fica atento ao frescor do produto, o que para ele é tão importante quanto a higiene do estabelecimento. “Eu observo a carne, se é de boa qualidade, se está fresca para fazer um bom proveito”.

Para Cleudemar Rodrigues da Silva, proprietário de um açougue na Folha 27, muitos estabelecimentos em Marabá precisam se adequar às normas para oferecer carne de qualidade aos consumidores. “A maioria não é adequado, porque eu vim de Goiás e lá os açougues são como esse para cima”, diz, referindo-se ao próprio comércio.

Dono de uma casa de carnes na Folha 28, John Kennedy Lima Monteiro acredita que com o aumento das fiscalizações, os estabelecimentos tiveram uma melhora. Ele garante que vende carnes frescas todos os dias, evitando estocar o produto.

DEMAIS ESTABELECIMENTOS

A preocupação com os estabelecimentos alimentícios se estende para os restaurantes. De um total de 136 que exploram esse serviço em Marabá, somente 63 estão licenciados e 28 em processo de licenciamento. Ou seja, 45 ainda precisam ser regularizados.

No caso das 92 padarias em funcionamento da cidade, 36 são licenciadas e 26 deram entrada para obter a licença, sendo que 30 delas ainda funcionam de maneira irregular. Já os 85 supermercados e afins contam com 36 estabelecimentos regularizados, 21 em processo de regularização e 28 ainda sem licença.

Nathália Viegas (Com informações de Josseli Carvalho)

Fonte: Correio dos Carajás