Calendário reduzido vira ‘rotina’ e incomoda torcida azulina

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Oque mantém qualquer clube de futebol ativo e com planejamento a médio e longo prazo é o calendário oficial de competições. As datas de jogos permitem a organização e estrutura de políticas para o crescimento de cada clube, especialmente pela parte financeira, já que os valores de bilheteria e programas de incentivo como os sócio-torcedores dependem dessa frequência de partidas. No caso do Clube do Remo, a pouca participação oficial em campo prejudica o andamento como um todo.

Desde que voltou a disputar a Série C, preenchendo o seu segundo semestre, o time azulino atuou em 110 partidas oficiais. O número é considerado baixo se levarmos em conta três temporadas disputadas. Em 2016 e 2017, o Remo jogou 37 vezes, sendo que nesse ano a participação diminuiu em um jogo, 36 ao total.

Em cálculo rápido, com base nos 36 meses equivalentes às duas temporadas passadas e essa atual, já que o Remo não jogará mais oficialmente, é como se o Remo jogasse apenas três vezes por mês. Até mesmo peladas de final de semana costumam ser mais frequentes em um período de 30 dias.

A Série C, que tem sido a grande responsável na somatória de jogos do Remo, poderia levar, por temporada, até quatro partidas extras. Obviamente que o número não iria acrescentar grande coisa, mas poderia permitir ao time a subir de patamar, como no caso ABC-RN, que no mesmo período de tempo, participou da Terceirona nesse ano e em 2016, mas no ano passado integrou o Nacional da Série B, chegando a incríveis 161 jogos, 50 a mais que o Remo.

FINANÇAS

Em consequência pelo número limitado de partidas, o principal afetado no Clube do Remo é o seu caixa. Pois, além de contar como principal vertente a bilheteria como fonte de renda, a falta de jogos desestimula a ampliação da imagem do clube, uma vez que o retorno é quase inviável. Para se ter uma ideia, de forma quase que integral, quase todo o saldo construído pelo Remo nessas três temporadas foi oriundo de bilheteria, diferentemente dos concorrentes de Série C desse ano, que conseguiram fazer pelo menos em uma temporada, um pé de meia nas participações da Série B, como o ABC-RN, Santa Cruz e Náutico, além da própria presença da torcida em dias de jogos com o calendário vasto.

“Ficar parado quase na metade do ano é algo ruim para quem tem família. O mesmo vale para o clube, que depende de jogos, e a essa parada até o ano que vem, com certeza, é complicada. Mas acreditamos que as coisas irão melhorar”, destacou o lateral Levy, que ainda tem indefinida a sua situação com o time para a próxima temporada.

RETROSPECTO: Número de partidas do Remo

2016

  • Paraense: 11 partidas
  • Copa Verde: 6 partidas
  • Copa do Brasil: 2 partidas
  • Série C: 18 partidas

2017

  • Paraense: 14 partidas
  • Copa Verde: 4 partidas
  • Copa do Brasil: 1 partidas
  • Série C: 18 partidas

2018

  • Paraense: 14 partidas
  • Copa Verde: 2 partidas
  • Copa do Brasil: 2 partidas
  • Série C: 18 partidas

Time azulino não consegue subir de divisão Um dos motivos para a falta de um número considerável de partidas do Clube do Remo em uma temporada é o calendário diminuto da Série C. Por isso, o acesso à Série B é visto como de extrema importância, pois, dessa forma, o clube teria garantias de mais jogos no ano e, de quebra, a Segunda Divisão ainda ajudaria a ter uma receita certa, assim como facilitaria para o clube a busca por patrocínios.

Pena que as gestões do Remo não ajudam e o time tem fracassado constantemente na meta do acesso. Cometendo os mesmos erros, ano após anos, os planejamentos montados em cima dos certames, ao lado de equipes sem qualidade, ajudam o time a não obter sucesso em campo. Um exemplo é visto tanto no nacional, que nos últimos dois anos contou com nível fraco entre as equipes, como em competições regionais, nesse caso a Copa Verde, onde o time pegou taca de equipes sem tradição alguma no futebol.

Cientes de que precisam mudar isso o quanto antes, os pré-candidatos à presidente da agremiação, como no caso de Fábio Bentes, Magnata e Ricardo Ribeiro, usam o tema como ponto de partida: a formação de um elenco competitivo e ambicioso com as causas do clube. “É preciso ter certeza de reformular não só o elenco, mas os mecanismos internos para dar amparo ao elenco de futebol. Dizer o que se quer para poder cobrar”, orientou Ricardo Ribeiro, vice-presidente do Remo.

FUTEBOL AMERICANO

De férias com o futebol tradicional, o Remo seguirá com as atividades no futebol, mas dessa vez, o americano. Pela Liga Nacional Conferência Norte, o Remo Lions, nome da equipe azulina, irá enfrentar neste domingo (26) os atuais campeões, os Vingadores, no campo da Uepa, em Belém. A equipe precisa da vitória para continuar com o sonho da classificação à segunda fase. “Será um jogo difícil, vamos enfrentar a melhor equipe do estado, que lidera o grupo. Mas estamos trabalhando forte, focados na partida, melhorando nossa parte física e tática para chegar em campo e buscar o resultado positivo”, comento o diretor geral da equipe, Mauro D’Antona.

(Matheus Miranda/Diário do Pará)

Fonte: DOL