Cosanpa oferece água ruim e agora mais cara

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nunciado no último dia 31 de julho, o aumento de 10% na tarifa da conta de água, que entrará em vigor a partir do início de setembro, não reflete a qualidade do serviço prestado pela Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), segundo usuários de Belém.

Moradores de diversos bairros do distrito de Icoaraci, por exemplo, colecionam queixas a respeito do abastecimento e da qualidade do produto. “Falta muita água. Eu preciso acordar cinco horas da madrugada todo dia para poder encher minha caixa d’água porque mais tarde a água já foi toda embora”, reclama a empregada doméstica Márcia Silva, 48, moradora do Paracuri.

Segundo ela, já houve ocasiões em que passou três dias seguidos com as torneiras vazias. “É um sacrifício, a gente precisa ficar enchendo balde na casa do vizinho quando isso acontece”, completa.

CONTA CARA

O anúncio do aumento foi publicado no Diário Oficial do Município (DOM) no último dia 2 de agosto. A segunda revisão tarifária foi aprovada pelo Conselho Superior de Administração da Agência Reguladora Municipal de Água e Esgoto de Belém (Amae) e autoriza o terceiro reajuste a ser praticado pela Cosanpa. O aumento incidirá sobre as tarifas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

INSATISFAÇÃO

No conjunto Cohab, a cerimonialista Nazaré Campos, 58, garante que o problema é generalizado. “Falta constantemente, às vezes a semana inteira. Já teve vezes em que fiquei um mês sem água!”, critica. “E ainda é de péssima qualidade, amarela, fedorenta, não serve para nada, só para limpar o chão”, dispara.

A conta da água, no entanto, chega religiosamente todo mês. “Como que eles querem aumentar o preço se a gente nem água tem?”, questiona.

Ainda no mesmo conjunto, a dona de casa Ana Célia Santos, 75, mostra a difícil realidade de quem não possui um poço próprio no quintal de casa. “A água vem muito fraca, só sai em torneira baixa, no chuveiro, então, não chega. A gente precisa deixar baldes enchendo para poder lavar louça, tomar banho, tudo”, desabafa.

Na torneira da pia, a família da idosa põe um pedaço de pano para tentar filtrar a água suja, mas bastam cinco minutos e o guardanapo já fica completamente encardido. “Essa água é péssima, cheia de lama, não dá para consumir”, critica. Sua filha, Leila Silva, 45, não poupou palavras ao saber do reajuste. “Uma sacanagem! Eles não oferecem um serviço de qualidade e só querem aumentar cada vez mais. Onde já se viu?”, reclama. Ela garante que na primeira oportunidade vai colocar um poço no quintal de casa.


(Foto: Ricardo Amanajás/Diário do Pará)

Poço é privilégio para poucos moradores

Poço é a opção de vários moradores que cansaram de depender da Cosanpa para viver. A dona de casa Zenildes Ferreira, 43, por exemplo, diz que água da rua só para lavar roupas escuras e louça. Para banho, roupas brancas e consumo, usa água de um poço que ela divide com duas outras casas. “Não tem como depender só dessa água. Ela é muito enferrujada e muito fraca, só sai em torneira baixa. E a gente ainda tem de se preocupar com a falta”, conta a mulher, que passou os últimos dois meses de dezembro quase inteiros sem água.

Já o pensionista Joventino Viana, 75, que mora em uma casa alugada no bairro da Pratinha I, não tem condições de abrir um poço em sua casa. “Para beber, não pode, não é boa. A gente pega água com um vizinho”, explica. Na pia, o filete de água que sai da torneira é fraco e o mesmo acontece com o chuveiro. “A gente deixa o balde enchendo para depois tomar banho, senão fica difícil”, lamenta.

A Cosanpa foi procurada, mas até o fechamento desta edição não respondeu à reportagem.

(Arthur Medeiros/Diário do Pará)