Pesquisa mostra crescimento no número de fumantes em Belém

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O uso do cigarro pode estar associado com, ao menos, o aparecimento de 50 doenças. Mesmo diante das campanhas de prevenção contra o tabagismo e os alertas sobre o mal que ele provoca à saúde, a prática permanece alta no Estado.

Nos últimos três anos, o índice de fumantes em Belém, por exemplo, cresceu. O percentual, que era de 5.5% em 2015, saltou para 7.6%, no ano passado, segundo pesquisa do Ministério da Saúde.

A frequência de pessoas que declararam fumar 20 ou mais cigarros por dia é de 2,4% na cidade. Os dados são preocupantes. O uso tabaco aumenta em até duas vezes a possibilidade de infarto, em até três vezes as chances de um derrame cerebral e em cinco a possibilidade de uma doença arterial. No entanto, não é apenas as pessoas que fumam que estão sujeitas a desenvolver estas doenças.

Os usuários que estão expostos à fumaça, também entram na linha de perigo. A pesquisa do Ministério mostra que o percentual de fumantes passivos por domicílio, em Belém, é de 6,6%.

Há 20 anos, a professora Jacileia da Cruz, de 34, passou a ter hábitos mais saudáveis e parou de fumar. Hoje, ela percebe o incomodo que o fumo causa. “Estar perto de quem fuma é horrível. Há pessoas que não respeitam. Não há como ficar sem o cheiro forte. Isso acaba fazendo mal a todos”, observa.

CUIDADOS

A coordenadora do Centro de Referência em Abordagem e Tratamento ao Fumante, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Maria de Fátima Amine, pneumologista, aponta que existem mais de 50 doenças relacionadas ao consumo do tabaco. O uso do cigarro é a principal causa de morte evitável no mundo.

Em 10 anos, o Centro de Referência recebeu cerca de 5.225 pessoas. A média de procura por tratamento no local é de 50 usuários por dia. Porém, nem todos ficam.

“Há uma avaliação. É preciso passar por psicólogo, médicos, fazer exame, antes de começar a tomar os medicamentos”, explica. A pneumologista explica que o uso do tabaco começa, em 80%, entre os adolescentes e jovens.

O cardiologista, José Rufino aponta que o uso do cigarro, é um dos principais fatores de risco para as doenças cardiovasculares. A nicotina estreita as veias e artérias. Sem contar que outros componentes do cigarro lesam o endotélio, a camada de revestimento interno dos vasos.

“Ele destrói a proteção das paredes que ficam vulneráveis à oxidação das gorduras, formando placas. Este é o estopim para o infarto agudo do miocárdio” explica o médico.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)

Fonte: DOL