Talentos estão escondidos nas pobrezas do Brasil

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São várias as histórias de estudantes beneficiários de programas sociais que se destacam em olimpíadas.

Desde que concluiu o ensino médio, em 2016, Rodrigo do Nascimento, 19, já teve quatro empregos. No mais recente, trabalhava 12 horas por dia em um mercadinho, sem carteira assinada, com apenas um dia de folga. Nesse tempo, fez curso técnico em administração e iniciou outro em informática.

Morador da interiorana Capela do Alto, em São Paulo, Rodrigo é hexacampeão da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) e tem um sonho: cursar engenharia mecânica na Universidade Federal de São Carlos. No seu caminho, a pobreza.

“Tive de parar tudo para trabalhar, mas quero ser alguém. Minha família não tem faculdade, minha mãe sempre trabalhou com faxina, meu pai é caseiro e ganha muito pouco. Quero sair para uma cidade maior, com mais oportunidade”, diz Rodrigo.

Geovana Sousa, 14, vive com avó e dois irmãos no pequeno distrito de Jordão, em Sobral, no Ceará. A mãe, Maria Telma, é empregada doméstica e dorme no trabalho. Medalhista de ouro e bronze na Obmep e de prata na Olimpíada de Astronomia, Geovana sonha formar-se em engenharia, esse feudo masculino.

Em Natal, no Rio Grande do Norte, vive outra medalhista da Obmep, Samantha Constâncio, aluna do 9º ano. Sua mãe, Maria das Vitórias, é horista em seis casas diferentes e deseja um futuro melhor para a filha única. Samantha faz inglês e preparatório para o ensino médio do Instituto Federal, pagos por uma patroa da mãe.

Embora não se conheçam, estes e outros jovens têm muito em comum, revela o trabalho “Talentos escondidos: os beneficiários do Bolsa Família medalhistas da Olimpíada de Matemática”, do Ministério do Desenvolvimento Social.

Vindos de famílias carentes beneficiárias de programas sociais do governo, esses meninos determinados a realizar seus sonhos nos obrigam a olhar de frente o tesouro de talento que o Brasil esconde —e que por vezes perde— por trás de suas pobrezas.

Fonte: Folha