Feirantes veem Complexo do Jurunas cair aos pedaços

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Complexo de Abastecimento do Jurunas, em Belém, é um verdadeiro caos: ao chegar ao espaço, o forte odor de chorume já indica a presença de bastante lixo acumulado em toda a sua extensão, seja pela parte interna ou externa; a estrutura está desabando, como comprova-se ao observar parte do telhado metálico em diversos pontos da cobertura do teto e nas vigas de aço improvisadas, instaladas para que o material tenha sustento.

Feirantes filmaram o Corpo de Bombeiros tirando uma parte de ferro que arriscava cair a qualquer momento. Além disso, outros problemas preocupam os feirantes e clientes da feira.

A instalação elétrica é precária e em vários pontos existem ligações feitas de forma irregular, o que aumenta o risco de curto circuito e incêndio. O abastecimento de água é irregular e os próprios feirantes precisaram fazer uma ligação clandestina de água de uma rua que passa pelo mercado. E na segurança alimentar não há parâmetros para a venda de alimentos, como carnes, peixes, aves, legumes e verduras, já que as barracas e boxes são irregulares.

O piso também é bastante sujo e irregular, tanto na parte coberta, quanto na área ao ar livre. As barracas que possuem botijão de gás não têm local adequado para armazená-lo e muitos ficam expostos, no meio das próprias barracas, onde feirantes se movimentam durante o dia inteiro. O muro é quebrado em toda parte.

A feirante Astrogilda Gomes, 72, que trabalha no complexo desde a sua fundação, há 27 anos, lamenta tamanho descaso com a manutenção. “É muito abandonado, não é bom trabalhar aqui. Para podermos ter água, mandamos fazer ligação da outra rua, mas às vezes falta. A estrutura é péssima, o teto está sujeito a cair na cabeça. Meu sonho é ver isso bonito, mas sei que é só promessa de político. É difícil acontecer, não melhora nada. Nunca”.

VIOLÊNCIA

Pedro Carlos Silva, 53, que é vendedor de peixe e trabalha no mercado desde os 12 anos, também reclama da insegurança e diz que o local é frequentado por usuário de drogas e assaltantes, mesmo com um posto fixo da Polícia Militar na entrada da feira. “Aqui nunca teve uma reforma. Já reformaram o Ver-o-Peso, a Feira da 25, outros mercados, mas aqui mesmo não colocam nem um prego. É tudo improvisado. Está entregue às baratas”, dispara.

Ele comenta, sobre o lixo, que a Prefeitura de Belém costuma fazer a coleta dos resíduos sólidos, mas que a própria população já está acostumada a fazer o despejo no entorno do mercado.

O QUE DIZ A PREFEITURA? – A Prefeitura de Belém promete investir R$ 13 milhões para revitalizar o Complexo do Jurunas, mas não informa quando. Disse ainda que será feita uma feira provisória, com liberação do complexo para os serviços de construção da nova área do Jurunas.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)