Brasil melhora em ranking de inovação, mas está longe de líderes até na América Latina

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No ranking deste ano, o país ocupa a 64ª posição dentre as 126 economias avaliadas.

O Brasil subiu cinco posições no Índice Global de Inovação de 2018, mas ainda está longe de ser uma potência inovadora e, mesmo na América Latina, não consegue ficar entre os três países que são referência no tema.
No ranking deste ano, o país ocupa a 64ª posição dentre as 126 economias avaliadas, segundo classificação anual divulgada nesta terça-feira (10). O índice é calculado em conjunto pela Universidade Cornell, da faculdade de administração Insead e da OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual).

A Suíça se manteve na liderança do ranking global, enquanto a China entrou na lista das 20 economias mais inovadoras. Os Estados Unidos caíram da 4ª para a 6ª posição.

No caso do Brasil, mesmo quando o recorte é regional, o país ainda está distante de ser uma liderança em inovação.

Na América Latina e no Caribe, o país aparece em sexto lugar em uma relação de 18 economias –os três primeiros são Chile, Costa Rica e México.

“Estive recentemente no Brasil, e o que me impressionou foi a liderança que agora é compartilhada entre o governo brasileiro e o setor privado”, afirmou, nesta terça, Soumitra Dutra, professor do Cornell SC College of Business e um dos responsáveis pelo ranking.

“O que eu vejo acontecendo no Brasil é uma maior percepção de que o futuro requer que o Brasil e a indústria brasileira mudem e inovem. E isso tem sido provocado pela sensação de crise gerada pelas incertezas políticas no país”, complementou.

Segundo ele, houve progressos em inovação no Brasil. “E em muitos países, como na China, isso aconteceu quando o governo e o setor privado se uniram. O Brasil melhorou, conforme o ranking identificou. Muitos países também melhoraram, mas o Brasil melhorou num ritmo mais rápido.”

O ranking aponta que o Brasil tem desempenho melhor em gastos com pesquisa e desenvolvimento, importações e exportações líquidas de alta tecnologia, qualidade de publicações científicas e universidades. Nesse último item, os destaques são as paulistas USP e Unicamp e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A sofisticação de negócios também é um ponto forte, com boa absorção de conhecimento, segundo o índice.

Mas algumas fragilidades impedem o país de melhorar sua classificação. Dentro da área instituições, a principal é o ambiente para negócios (110°) e a burocracia para abrir uma empresa –o país ocupa a 123ª colocação em facilidade de iniciar um empreendimento.

No quesito sofisticação de mercado, são apontadas dificuldades em crédito (104°), enquanto em infraestrutura o problema é na formação bruta de capital fixo (104°) –ou investimento para ampliar a capacidade produtiva.

Para Robson Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o índice é importante para definir novas políticas do país. “Com a nova revolução industrial que está por vir, a inovação ganha um novo peso no desenvolvimento e na competitividade das nações, e o Brasil deve se dirigir para esse caminho”, afirma.

Na avaliação de Gianna Sagazio, superintendente e diretora de inovação da confederação, o Brasil precisa de uma estratégia nacional de inovação.

“A gente precisa ter foco. O exemplo da China, é um país que tem uma visão de futuro e que estabeleceu a inovação como uma prioridade do país. A CNI entende que é importante eleger a inovação como prioridade e estratégia de desenvolvimento do Brasil.”

Sagazio lembra que os países considerados mais inovadores estabelecem políticas por décadas. “Da mesma forma, precisamos de políticas e ferramentas para que a gente possa avançar como uma estratégia de país. É a indústria forte que vai gerar emprego de qualidade e bem-estar para as pessoas”, destacou.

Ela vê necessidade de melhorar o sistema de financiamento à inovação no Brasil e o marco regulatório. “É preciso preparar as pessoas para esse ambiente disruptivo. Estamos tentando melhorar todos os indicadores que compõem o índice”, ressaltou.

Heloísa Menezes, diretora técnica e presidente em exercício do Sebrae, afirma que as pequenas empresas podem desempenhar um papel importante na inovação, porque são “força social e econômica fundamental” para o desenvolvimento do Brasil.

CNI e Sebrae são parceiros de conhecimentos do índice, ao lado da Confederação das Indústrias Indianas, da equipe Strategy& da PwC (PricewaterhouseCoopers) e de um
conselho consultivo de especialistas internacionais.

O indicador de inovação é publicado anualmente desde 2007. Ele serve para ajudar formuladores de políticas a melhorar a avaliarem o progresso de seus países na área. O índice é calculado pela média dos subíndices de insumos de inovação e produtos de inovação.