‘Eu estou de volta’, disse Lula após atacar Moro, Bolsonaro e Globo

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Lula chegou às 13h13 na sede dos Sindicato dos Metalúrgicos, em São Paulo.

Em discurso um dia após ser solto da sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR), onde cumpria pena, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a Rede Globo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) em frente à sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP). Embora tenha dito que tenha saído sem ódio dos quase 20 meses de prisão, Lula subiu o tom e partiu para o confronto político. Lula chegou às 13h13 na sede dos Sindicato dos Metalúrgicos, em São Paulo. Foi recebido por um tapete vermelho. Subiu ao palanque e começou o discurso pouco antes das 15h. A primeira menção foi a um helicóptero da Rede Globo que sobrevoava a região. “Lá em cima tá o helicóptero da rede globo de televisão para falar merda de novo sobre Lula e sobre nós.”

Em seguida, disse que assumiu um tom ameno durante a prisão. “Eu quando saí daqui [em 8 de abril] eu tinha uma missão. Eu fiquei numa solitária e por 580 dias e me preparei para não ter ódio, não ter sede de vingança. Eu queria provar que mesmo preso com eles eu dormia com a minha consciência tranquila”, disse. No entanto, em seguida, atacou seus principais adversários. Brincou com o microfone que falhava (“Eu fiquei 580 dias sem ter com quem falar, agora quero falar”) antes de disparar contra Moro, Deltan Dallagnol, Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Eu duvido que o Moro durma com a consciência tranquila que eu estou. Eu duvido que o Deltan durma com a consciência. Eu duvido que o Bolsonaro durma com a consciência tranquila que durmo. Eu duvido que o destruidor de empregos Guedes durma com a consciência tranquila que durmo. E digo: eu estou de volta.” Lula lembrou dos xingamentos à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na abertura da Copa do Mundo, em 2014. “Fui criado para não dizer palavrão. Não vou dizer palavrão a Bolsonaro, ele é o próprio palavrão.”
O ex-presidente voltou a criticar a mídia televisiva, sobretudo o que chamou de falta de cobertura dos vazamentos das conversas da Lava Jato. “Na cadeia, fui obrigado a ver TV aberta. O SBT foi uma vergonha, a Record está uma vergonha e a Globo continua uma vergonha. Eles não deram uma matéria sobre o Intercept, só uma para defender o Faustão”, disse. Sob forte calor, muitas pessoas passaram mal. Militantes chamavam a atenção do palco para que paramédicos sejam chamados. Sem entender direito uma dessas sinalizações, Lula disse: “Deem água, abanem, espaço. Se eu for aí ajudar, vai ter mais confusão”.

Fonte: UOL