Roubo de veículos ultrapassa marca de 1 milhão no Brasil em 4 anos

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O número de roubos de veículos no Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de ocorrências nos últimos quatro anos, de acordo com dados do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública), órgão atrelado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Trata-se de uma modalidade que, apesar de ser um crime contra o patrimônio, coloca em risco a vida das vítimas.

No entanto, apesar da grande incidência de delitos nos municípios brasileiros —a frota circulante atual no país, incluindo comerciais leves e ônibus, é de 44,8 milhões de veículos. —, as estatísticas apontam que houve uma queda de 26,7% na comparação entre os períodos de janeiro a maio deste ano com os cinco primeiros meses de 2018 (108.993). Já a redução das ocorrências entre 2018 com o ano anterior — tanto de frutos quanto de roubos — é de aproximadamente 10%.

O levantamento do governo federal apontou que, entre 2015 e 2019, foram registrados 1.103.606 crimes deste tipo no país — o que representa uma média de 106,6 veículos para cada grupo de 100 mil habitantes. O ano de 2017 teve a maior incidência de roubo de veículos (276.389). No ano passado, houve 238.672 ocorrências, segundo as estatísticas do Sinesp. Em 2019, o mesmo gráfico mostra o registro de 79.848 casos até o mês de maio.

Furtos

Os registros de furtos de veículos — quando o bem é levado sem a presença da vítima — recebidos pelo governo federal são ainda maiores que as ocorrências de roubos. Foram 1.139.961 casos no mesmo período (2015 a maio de 2019), média de 110,12 crimes por 100 mil habitantes. Somente neste ano, foram contabilizados 91.789 furtos em todo o território nacional.

O consultor em segurança pública Marcos Carneiro de Lima, ex-delegado geral da Polícia Civil de São Paulo, considera que furtos e roubos de veículos sempre foram muito expressivos no país por ser altamente rentáveis para os criminosos. “O crime compensa porque gera dinheiro sujo para muita gente.”

Segundo o ex-policial, os veículos têm como destino o desmanche ou a adulteração do veículo — prática conhecida como dublê. “A cadeia de pessoas envolvidas é grande, inclusive envolvendo agentes públicos. A maior parte dos carros adulterados fica no Brasil. A lenda do Paraguai está superada”, avaliou.

Marcos Carneiro Lima destaca também a necessidade de conter a ação dos receptadores, pessoas que compram os carros, motos e demais veículos frutos de roubo ou furto. “Uma das linhas de combate é o controle e fiscalização dos desmanche. A outra, de caráter cultural, é a postura do cidadão em comprar produto de crime.”

O especialista considera que os dados do Sinesp retratam a realidade, pois as vítimas precisam do boletim de ocorrência para acionar as apólices de seguro. Também há uma preocupação em se preservar caso o veículo seja utilizado em outros crimes.

Avanço da tecnologia vs. violência

Para Marcos Carneiro Lima, os avanços da tecnologia no setor foram importantes para redução dos furtos. Por outro lado, diante dessas dificuldades, os ladrões optaram por abordagens mais violentas. “O criminoso parte para o roubo, gerando uma situação de maior risco para a vítima.”

Fonte: R7