PF cumpre em São Paulo mandados contra instituição financeira Ouro Minas, que compra ouro no oeste do Pará

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Mandados foram expedidos pela Justiça Federal em Santarém (PA) e cumpridos em endereços em São Paulo nesta quarta-feira (10) durante a Operação Midas II.

A Polícia Federal cumpriu na manhã desta quarta-feira (10) seis mandados de sequestro de bens em endereços situados no estado de São Paulo, pertencentes a uma instituição financeira que atua na compra de ouro no oeste do Pará, dentre outras regiões. Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em Santarém (PA).

Denominada Operação Midas II, a ação teve apoio do Ministério Público Federal (MPF), que havia solicitado à Justiça os mandados. O valor do sequestro é superior a 16 milhões de reais.

primeira fase da operação foi deflagrada em maio de 2018, ocasião que foi cumprido um mandado de busca e apreensão no posto de compra de ouro da empresa em Santarém, e outro na residência do responsável por tal estabelecimento. Também foram bloqueados judicialmente bens dos investigados.

Conforme a Polícia Federal, a ação visa reprimir o comércio de ouro clandestino procedente da Bacia do Rio Tapajós, pois a investigação correspondente revelou que grande parte do ouro adquirido pelo PCO da instituição financeira em Santarém era de origem clandestina, sendo “esquentado” com documentação ideologicamente falsa produzida pelo estabelecimento.

Barras de ouro apreendidas na Operação 'Dilema de Midas i' em 2018, da Polícia Federal em parceria com o MPF — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Barras de ouro apreendidas na Operação ‘Dilema de Midas i’ em 2018, da Polícia Federal em parceria com o MPF — Foto: Polícia Federal/Divulgação

Investigações

As investigações foram iniciadas após operações de combate a garimpos ilegais de ouro na zona de amortecimento da Terra Indígena Zo’é, uma região no entorno do território indígena onde são vedadas atividades de exploração madeireira ou garimpeira. As operações reuniram MPF, PF, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e Fundação Nacional do Índio (Funai).

Os garimpeiros flagrados trabalhando nas áreas clandestinas revelaram em depoimentos à PF que vendiam o ouro extraído ilegalmente para uma empresa em Santarém, que exigia apenas o CPF e o RG do vendedor, dispensando as exigências previstas em lei para atestar a origem do ouro.

Os investigadores constataram que a prática de comprar ouro sem documentação de origem correspondeu a 100% do ouro comprado pela empresa, no escritório de Santarém, em 2015. Para fazer frente ao volume de negociações, de acordo com depoimentos obtidos, eram feitos saques diários de R$ 500 mil.

Operação Midas

O nome da operação faz referência ao Rei Midas, que segundo a mitologia grega, ganhou o poder de transformar tudo que tocava em ouro, porém esse poder acabou se transformando em uma maldição, visto que ficou impedido até de se alimentar, já que tudo o que ele tocava se transformava imediatamente em ouro.