Presidente diz que pegou Cosanpa sucateada, mas há financiamento para ampliar o serviço

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José Antônio De Angelis concedeu entrevista nesta quinta-feira, 4. Ele não acredita em privatização da companhia e garantiu que cumprirá as metas estabelecidas para atendimento de serviço.

O presidente da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), José Antônio De Angelis, concedeu entrevista nesta quinta-feira (4), para falar sobre o atual momento da empresa, os constantes problemas no fornecimento de água à população e a medida cautelar que obriga a Cosanpa fornecer dados sobre a qualidade da água e do serviço de abastecimento.

Rotineiramente é mostrado nos meios de comunicação aos moradores da região metropolitana de Belém denunciando a falta de água nas torneiras das residências. No interior a situação não é diferente, a Cosanpa não consegue expandir seus atendimentos. De Angelis, reconheceu que a empresa vive um momento difícil, sucateada e sem investimentos feitos a longo de anos. Por isso, a rede de fornecimento de água não conseguiu acompanhar o crescimento populacional.

“O sistema todo aqui foi criado por poços artesianos, porque nós temos água em volta da cidade. Nós podíamos ter captações superficiais, para tratar essa água e trazer para a população. Nós optamos há muitos anos atrás, na formação da empresa, de ter poços artesianos. Esses poços não se multiplicaram, nós não ampliamos, eles ficaram velhos e hoje estão dando problema”, disse.

“Nós pegamos uma empresa sucateada. Uma empresa detonada, sem investimentos, sem ampliação. Ou falta água porque não se tem a água, ou não se ampliou os poços”, completou

Na terça-feira (2), a Defensoria Pública do Pará conseguiu uma medida cautelar que obriga que a Cosanpa forneça dados da qualidade da água e do serviço de abastecimento. A decisão foi deferida pelo juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública, Raimundo Rodrigues Santana, que levou em consideração as constantes denúncias feitas pelos usuários do serviço.

Mas essa discussão sobre a capacidade da Cosanpa em atender a capital e região metropolitana é antiga. Em 2017, a Câmara Municipal de Belém abriu sessão especial para discutir sobre a possibilidade de privatização do serviço na capital.

De acordo com José De Angelis, a privatização não é o caminho para a solução do problema, por isso o Governo do Estado conseguiu captar financiamento para que a empresa possa aperfeiçoar e ampliar o serviço de abastecimento.

“Então não é esse o nosso foco. O nosso foco é fazer investimentos. Nós temos financiamento para poder fazer as ampliações”, afirmou.

Segundo o presidente da Cosanpa, uma das primeiras medidas que a nova gestão fará é um treinamento com os funcionários, principalmente na parte do atendimento ao público e manutenção da rede, visando ter um trabalho mais eficiente, e também criar metas de trabalho para que os prazos de serviços sejam respeitados e os problemas na rede de abastecimento solucionados.

COSANPA – Ampliação e Melhorias do Sistema de Abastecimanto de Água da Cidade de Marabá.
FOTO: SIDNEY OLIVEIRA/AG. PARÁ
DATA: 08.01.2014
MARABÁ – PARÁ

“Nós vamos estabelecer metas de padrão de 24h para atendimento de vazamentos, três dias para que possamos dar soluções maiores, de mais dificuldades, e que a gente possa melhorar esse retorno da população”, garantiu.

De Angelis também pediu a colaboração da população para a identificam dos vazamentos. Ele lembrou que a companhia só fica ciente dos problemas existentes quando é reportar pelos canais oficiais, e não por rede social.

“Por isso que peço à população que nos avise dos vazamentos. As vezes a pessoa comunica nas redes sociais e acha que na rede social a gente conseguiu ter esta informação, as vezes não. Eu quero que vocês reclamem nos nossos meios de comunicação. Peguem um número, peguem um protocolo, que vocês vão nos cobrar e a gente vai verificar se este protocolo está sendo atendido e que prazo, para a gente cobrar providências internas”, concluiu.

Fonte: G1